A comissão de inquérito
A comissão de inquérito arrancou e toda a gente promete ir até ao fim. Entre depoimentos, papelinhos passados por baixo da mesa e microfones desligados a meio da frase, uma prova desapareceu. Onze divisões, nove pessoas e quase nada dito de forma direta: vais precisar de várias hipóteses até ao fim.
Suspeitos
- Adolfo, o presidente da comissão: Pede silêncio de cinco em cinco minutos. Ninguém lhe obedece desde a legislatura passada.
- Belisa, a relatora: Já escreveu as conclusões. Falta só fazer o inquérito.
- Carmo, a deputada do partido do ministro: Faz perguntas tão longas que o ministro tem tempo de preparar a resposta enquanto ela fala.
- Dâmaso, o assessor do ministro: Senta-se atrás do ministro e passa-lhe papelinhos. Uns são respostas, outros são a lista das compras.
- Eva, a técnica de som do Parlamento: Desliga os microfones quando o tempo acaba. É a pessoa mais temida da sala.
- Firmino, o antigo diretor de uma polícia: Veio depor como testemunha e passou o tempo a corrigir os deputados nos nomes das operações.
- Gilda, a jornalista de investigação: Tem mais documentos sobre o caso do que a própria comissão. Talvez por isso não a deixem entrar.
- Hermínio, o contínuo da comissão: Abre e fecha a sala da comissão. Sabe quem lá ficou depois da hora.
- Inácia, a estenógrafa: Escreve tudo o que se diz na sala. O que não se diz também lhe interessa.